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Peripécias das Redes Sociais.

por Volátil, em 10.09.15

Apercebi-me esta manhã de que houve burburinho nas redes sociais durante a noite. Seguindo o rasto de tweets cheguei a uma pagina do Facebook que se dedica a colectar fotos de utilizadores facebookianos com screen captures de post de conteúdo, digamos, bastante primário sobre o acolhimento de refugiados sírios em Portugal. Perifécias dos Fachos PT. Pela designação "PT" assumo que é uma importação de páginas de outros países europeus (mas não sei...). 
É verdade que quando dissecamos e levamos à letra uma piada - já página tem carácter humorístico - pode perder o seu sentido cómico. Não obstante disso... vou fazê-lo. 

 

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Quando estava a fazer scroll down pela página apareceram post gigantes de odiosa verborreia. Apenas a passar os olhos pelas fotos e por uma ou duas linhas de texto podemos concluir que quem as escreve tem o QI de uma noz e que a cultura geral é praticamente inexistente. Escrevem mal - tão mal - ao ponto de se conseguir ler um "fodaçe" e outras pérolas que tais. São praticamente um rebanho.

Gozar com os pobres de espírito, com os parvos, é fácil. Estes parvos então são a personificação do ridículo e a sua exposição pública é muito engraçada (sendo particularmente engraça as suas reacções à publicação das suas fotos na página). O ridículos faz rir as pessoas desde o inicio dos tempos. Até aqui nada mudou.

 

Gil Vicente no seu Auto da Barca do Inferno também apresenta um parvo. Esse parvo, se bem me lembro das aulas de português do 8º ano (?) estava lá para expor com a sua ingenuidade todas as outras personagens. Como não tinha nada a perder falava e expunha todos os outros passageiro de Caronte. Para mim estes parvos do Facebook também fazem o mesmo, expõem os problemas naquela maneira tonta, desbocada e ignorante... que é a única que aquelas cabecinha conseguem produzir. Contudo, expõem a questões que realmente existem. São questões concretas e que a serem tratadas com seriedade e ponderação constituem num desafio bastante grande para Portugal e para todos os países europeus. 

 

Existem refugiados porque existe guerra. A guerra por motivos religiosos em que muçulmanos extremistas estão a matar e a expulsar do pais outros muçulmanos - em termos simples - a solução neste momento não existe. Mesmo que a guerra acabe agora o país está destruído o contemporâneo e as cidades da antiguidade. Tudo destruído. Assim, a única coisa que resta aos sírios é rumar a norte e deixar a guerra para trás. A única coisa que resta à Europa é tentar integrar da melhor maneira - o que está a ser feito, com as limitações evidentes. 
Quem está em Portugal tem toda a legitimidade de questionar sobre esta integração. Como vai ser feita? A que custo? Vão criar mais guetos como os que construíram nos anos 80 e 90, que andam a tentar dissolver na presente década? Estas pessoas estão com disponibilidade de mudar de vida e fazerem parte de Portugal, cumprindo a sua parte do processo de integração, ou vão eles mesmo selar as portas desses guetos criando uma incubadora de futuros problemas sociais muito fáceis de imaginar?
São perguntas legitimas que devem ser ponderadas. O acolhimento de refugiados deve ser feita mas bem feita... é importante saber quem entra e como entra para segurança de todos. Tendo atenção também à criação de um sistema de sustentabilidade para estas pessoas que de vêm instalar em cada país da Europa.

 

Já escrevi aqui que a principal diferença entre esquerda e direita é que a esquerda é emocional e a direita é pragmática. Como podemos observar, mais uma vez, a esquerda (e assumo que é o/os criador/es da página são de esquerda) puxa mais emotivamente da palavra "facho". Eu desconfio que nenhuma das pessoas visadas na "Peripécias dos Fachos" tenha a capacidade e cultura para sequer saber o que foi ou é o fascismo. A direita tem tido um postura mais digna, de ajuda humanitária e de preocupação... mas sem perder o pragmatismo... como por exemplo a Alemanha. 

 

Talvez se aprenda alguma coisa com os risos ao computador. Talvez o humor faça pensar naquilo que é importante e que cada um olhe para as questões levantadas e, com cabeça e coração, aceite e integre estas pessoas que vão chegar. Sem a hipocrisia de escondermos os preconceitos que os tontos não escondem. Os preconceitos existem e quem se rir também os tem. Que não sirva a comédia para os recalcar cá dentro mas para os medirmos e enfrentarmos, aprendermos e crescermos. Vai ser uma tarefa complicada para ambos. Mas que pode ser proveitosa... ou apenas um desastre. Depende de todos. Samicas. 

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publicado às 21:34