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O Efeito Placebo da Publicidade.

por Volátil, em 06.09.15

Numa conversa de café com alguns amigos, entre os quais havia médicos, farmacêuticos e delegados de informação médica, discutíamos um fenómeno que todos temos vindo a reparar há algum tempo no que concerne ao modo como as pessoas lidam e vêem a utilização do medicamento no âmbito da automedicação. Comentávamos mais propriamente a campanha da Apifarma sobre automedicação responsável: Tratar De Mim.

 

Então reparámos que tínhamos a mesma visão sobre um fenómenos curioso que junta a publicidade e os medicamentos. Para ser mais claro tomemos um exemplo. O ibuprofeno. Trata-se de uma fármaco anti-infamatório não esteróide com propriedades analgésico e antipirético amplamente utilizado como OTC ou Medicamento Não Sujeito a Receita Médica (MNSRM). 

Do contacto que cada um tinha com colegas e doentes sugiram as seguintes e curiosas observações. Todos os nomes de marca que serão referidos correspondem a comprimidos de ibuprofeno de libertação simples (sem efeito prolongado) e comparámos  a reacção das pessoas, na nossa experiência diária, que tomam este medicamento cruzando as fontes da informação que chega às pessoas que os utilizam. 

O conhecimento que as pessoas em geral têm dos medicamentos vem de duas ou três fontes principais. Médico, Farmácia e Televisão. Se um médico prescrever um Brufen 200mg (MNSRM) o doente imediatamente diz que o medicamento não vai fazer nada. Porque o Brufen prescrito pelo médico é o de 600mg, ainda que o de 200mg fosse perfeitamente adequado à situação.
Se a situação for uma dismenorreia ou uma ligeira dor de dentes (em mulheres) o Trifene 200 é uma maravilha. Por força do marketing este efeito já não é reprodutível se o doente for homem! (Aliás... nunca nenhum homem toma Trifene!)
Se o doente apresentar dores de costa ou nas articulações e lhe for aconselhado na farmácia um Ozonol (que tem escrito na embalagem "alivio rápido das dores musculares e reumáticas, dores de cabeça menstruais e de dentes") o seu efeito é quase milagroso... mas se lhe for sugerido um Brufen 200 é fraco e o doente ainda se ri do médico ou do farmacêutico. 

 

A televisão é, pela avalanche de publicidade a medicamentos que transmite principalmente em horário nobre, a grande conselheira farmacológica das pessoas. Estas procuram justo dos profissionais os medicamentos que lhes são apresentados na TV e sobretudo esperam sentir aquilo que a TV lhes diz. É fascinante ver como esta ideia se traduz numa real activação do efeito placebo nos doentes. Sendo que a reacção de um Brufen 200 prescrito por um médico não e igual a um Ozonol MNSRM que lhe é aconselhado por um farmacêutico, assim como um Trifene 200 tem resultados diferentes em mulheres e homens, mais uma vez pela força da publicidade e do seu target.


Concluímos por unanimidade que a acção dos medicamento é estrondosamente potenciada pelo que as pessoas acreditam e o efeito placebo (nada que não venha nos manuais de farmacologia) e está agora a ser canalizado em sinal TDT.

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publicado às 22:24