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Metal.

por Volátil, em 29.08.14

Poucas coisas me conseguem fazer concentrar e acalmar. Uma delas é a música.

Comecei a ouvir metal aos 11 anos. Ninguém começa a ouvir metal sozinho, é preciso partilhar com outros o mesmo som. Na sala de aula havia 3 amigos, o mais diferentes que se possa imaginar, excepto no gosto pelo mesmo género musical. Começámos pelo inicio. Black Sabbah. Saxon. Metallica. Iron Maiden. Líamos o jornal Blitz (sim, era um jornal!) e revistas como a Terrorizer. Fazíamos romaria a uma pequena loja que tinha um vasto leque de géneros de metal e imensas preciosidades que nos preenchiam a a alma e o tempo. Ouvíamos o dono da loja e nosso amigo a falar entusiasmadamente sobre as novidades da semana. Íamos sempre à sexta-feira, porque não havia aulas à tarde. Não era fácil escapar de um colégio de freiras mas naquele dia da semana havia sempre boas desculpas para dar.

Blind Guardian, foi a primeira banda que nos trouxe também livros. Estávamos no final dos anos 90 e o power metal de Blind Guardian vinha embebido nas aventuras da Terra Média de Tolkien. Li tudo. Depois, Avantasia e a Metal Opera. Sempre me fascinou a forma de contar uma história através da música de um álbum, por isso todos os meus álbuns preferidos são conceptuais (já falei de um deles aqui). 

Mais tarde, entrei pelos géneros mais negros do metal. Doom metal. Black metal. Death metal. Era um som poderoso, áspero, com temas antagónicos a tudo o que se fazia ouvir pelos meios de difusão mais democráticos. Pesquisava, quase que estudava cada nova banda que as revistas e a recém chegada internet trazia. Candlemass. Immortal. Children of Bodom. Atravessaram o "Discman" e mais tarde o primeiro leitor de mp3. 

Depois vieram os primeiros concertos. Num pequeno bar, já extinto, que ficava na zona industrial de Coimbra. Foi gothic e doom metal. A "fauna circundante", como lhe chamávamos, naquele tipo de concertos era fascinante. Toda a gente de preto. Olhos pintados de negro. Cabedal negro. Correntes. Cintos com picos. Era assustador e fascinante ao mesmo tempo. O som era grave e pesado. Havia cabelos no ar dos "headbangers" da fila da frente. Observava tudo aquilo com espanto e admiração. O primeiro grande concerto foi Iron Maiden. Já mais velhos e juntos numa outra escola, os mesmo três amigos foram até Lisboa ver Iron Maiden (não obstante de haver teste de Português no dia seguinte). Nessa altura já acumulava CD's e DVD's e outros tantos gigas de mp3. A t-shirt da tour dizia "Give me Ed till I'm dead" e no caminho para o Pavilhão Atlântico todos os desconhecidos que traziam uma t-shirt de Iron Maiden vestida faziam "metal horns" (\m/) e cumprimentavam-nos entusiasticamente como se fossemos um membro da família que só aparece nas festas. Foi gigante e memorável.

Muitas vezes é difícil explicar porque se gosta de metal. Muitas vezes ouve-se o "ah isso é só barulho". Muitas vezes quem gosta de metal é associado a violência e a atitudes menos inteligentes. A verdade é que quem gosta de metal vai continuar a gostar de metal, porque aquele som pesado dá conforto num mundo ainda mais brutal e ruidoso. Por estranho que possa parecer. 

 

 

Estou a escrever estas linhas a ouvir o novo álbum de Opeth. Um metal progressivo, complexo, limpo. E neste momento já não sinto aquele nó um palmo abaixo do esterno que tinha quando cheguei a casa. Aconselho. 

 

 

Horns up \m/

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publicado às 22:34