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Os telemóveis é que têm o melhor lugar nos concertos.

por Volátil, em 13.07.13

 

A propósito do Optimus Alive.

 

Nos últimos anos quando vou a concertos (e infelizmente tem sido raro...) tenho notado que as pessoas, mais do que ávidas por música e espectáculos, são ávidas por fotografar, filmar, telefonar, youtubar, tweetar, facebookar...

 

Não quero falar sobre o direito de gravar e reproduzir os concerto. Não quero falar da ACAPOR nem dos Copyright.
Quero falar das pessoas, dos comportamento das pessoas, de memórias e de experiências.

 

Em princípio, e se os tempos não mudaram isso, a motivação que nos leva a comprar um bilhete (nada barato!) para ir ver música ao vivo, é a experiência desse momento e a sua memória. No fundo, fazemos tudo pelas experiências e pelas memórias. Viajamos, vamos ao cinema, vamos a concertos, vamos a restaurantes exóticos, saímos com amigos, etc... de modo a vivermos experiências que nos construam memórias que nos preencham a cabeça e alma. Ou pelo menos era assim até os telemóveis invadirem a primeira fila das nossas vivências.

 

Quando vou a um concerto não o quero ver através de um ecrã 4,5'' por muito HD que ele tenha. Quero vê-lo com os meus olhos. Não quero guardar as minhas memorias do concerto em .mp3, .jpeg, .flv ou .avi. Quero guarda-las no meu cérebro para me entreter antes de adormecer. Não quero estar a olhar para o palco e ver centenas de mini-palcos a brilharem no escuro à minha volta (e quantas vezes a fazerem oclusão ao verdadeiro).

 

Para mim, há uma explicação para este novo "comportamento normal" nos concertos:
Na Psicologia há uma teoria da personalidade (Locus de Controlo, ide verificar... não sou psicologo) que, entre outras coisas, diz que para certas pessoa o "locus" de identidade é exterior a si mesma, ou seja, valoriza as suas experiências na mesma medida em que os outros as valorizam. Assim, no admirável mundo novo das redes sócias o mecanismo recompensatório (quase como na toxicodependência!) de um "like" ou de um "retweet" acaba por gatilhar este tipo de comportamento.


Chegamos a um ponto em que só valorizamos o que os outros sabem que nós vivemos, na minha perspectiva, já não se trata apenas de elaborar álbuns de memórias. Queremos que os outros gostem das nossas experiências para que as valorizemos verdadeiramente (não sei se isto se estende às sex tapes, agora que penso nisso...). E o pior de tudo é que estamos todos expostos a isto.

 

Uma vez ouvi uma entrevista, acho que foi do David Fonseca, em que ele dizia que consumava adorar tirar fotografias Polaroid. Mas deixou de o fazer. As memórias do momento que guardava era apenas a acção de tirar a fotografia e não do verdadeiro momento que ficava pintado na película. Eu concordo com isto!

 

Vejam e ouçam os concertos. Deixem os telemóveis no bolso. Vão ver que valorizam muito mais... os concerto e o dinheiro do bilhete! (E descansem... as fotografias e vídeos vão estar na net mais tarde, de qualquer modo...)

 

 

\m/

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publicado às 20:46


2 comentários

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De Joana Rita a 15.07.2013 às 17:08

tudo é comunicado via redes sociais... do parto ao funeral, vá
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De blackened a 15.07.2013 às 21:00

Com o seu texto, lembrei-me que há 2 anos e tal atrás estava eu num concerto e a minha atenção dividia-se constantemente entre o palco real e o palco pequeninho da minha câmara de filmar. No fim de contas, perdi a maior parte dos videos que havia gravado, pois tinha-os guardados numa pen que se lembrou a desaparecer. Juro que aprendi a minha lição!

Obrigada pelo texto!
Fica-se sempre a aprender um bocadinho mais, mesmo que esse bocadinho, no fundo, já fosse conhecido. É que, às vezes, nem que é que desconheçamos as coisas, os nossos comportamentos, os comportamentos da natureza, simplesmente não perdemos tempo suficiente a reflectir acerca disso.

Vou começar a segui-lo. :)
Fique bem.

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