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Quem quer ser Raskólnikov?

por Volátil, em 12.07.13

Antigo estudante universitário. Deprimido. Inteligente. Desempregado. Neurótico. Vive num quarto arrendado, que não consegue pagar, na cidade de São Petersburgo. Este é Raskólnikov. Surgiu da imaginação russa de Dostoiévski que o passou para o papel em Crime e Castigo.

 

Hoje, Portugal está cheio de Raskólnikoves. As semelhanças da narrativa negra deste clássico russo com a realidade noticiada diariamente é assustadora.

 

Esta personagem comete um crime. Mata um velha rica e avarenta. Com o dinheiro ia sair da miséria e fazer valer a sua inteligência. Uma pessoa inteligente tem direito a cometer um crime livre de castigo. Para que as suas capacidades prevaleçam e não fiquem aprisionadas pela pobreza. Porque haveria de estar um homem brilhante sujeito a este sofrimento?

 

Não temos que recorrer a esta história com 150 anos. Basta abrir o jornal ou ir até ao café...

Quantos ex-estudantes deprimidos por ai andam? Eventualmente brilhantes e eventualmente presos pelas circunstância da vida e - porque não dizê-lo - do país.

 

Contudo, Raskólnikov é consumido pelo remorso e conta o seu crime a uma prostituta chamada Sófia. Esta corvense-o a entregar-se. Abraça a culpa e a religião. Passa o resto dos seus dias exilado na Sibéria. A vida é difícil e o país também.

 

Mas acima de tudo... a consciência é fodida.

(Tem de haver outra maneira!)

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publicado às 00:57