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Sobre David Bowie e outras coisas.

por Volátil, em 13.01.16

«David Bowie, nome artístico de David Robert Jones, Brixton, Londres, 8 de Janeiro de 1947 -  Manhattan, 10 de Janeiro de 2016) foi um cantor, compositor, actor e produtor musical inglês. Por vezes referido como "Camaleão do Rock" pela capacidade de sempre renovar sua imagem, tem sido uma importante figura na música popular há cinco décadas e é considerado um dos músicos populares mais inovadores e ainda influentes de todos os tempos, sobretudo por seu trabalho nas décadas de 1970 e 1980, além de ser distinguido por um vocal característico e pela profundidade intelectual de sua obra.», citado directamente da Wikipédia.

 

A música.
Muitas vezes diz-se que o melhor que um artista pode fazer pela sua carreira é falecer. De certa forma é assim que começa o processo vinculativo de passagem a mito, juntamente com a complementar prova de fogo da resistência ao filtro do tempo, que os eleva ao estatuto de imortais.
Também se costuma dizer que ninguém morre verdadeiramente até morrer a última pessoa que ouvi falar dela. A arte, neste caso particular a música, tem essa capacidade de perpetuar infinitamente a existência.

 

O homem.
David Bowie morreu de cancro do fígado. 700000 pessoas são diagnosticadas com cancro do fígado a cada ano. Dos diversos tipos de cancro do fígado a taxa de sobrevivência nos 5 anos seguintes ao diagnostico é de 5% (cancer.org).
David Bowie tinha 69 anos. Não sou grande conhecedor do seu trabalho, por isso recorri à Wikipédia, mas julgo que é seguro dizer o seguinte: Bowie viveu como poucos. Divertiu-se, certamente, à grande. Foi isso que levou. A nós, deixou-nos a música e a imagem.

 

Os posers.
Duas coisas acontecem quando alguém conhecido morre. O silêncio dos que sempre admiraram e o barulho dos que foram o mais depressa possível à Wikipédia informar-se quem era o tipo. São as mesmas pessoas que foram no dia seguinte à morte de Pavarotti comprar os discos todos e nunca voltaram a abrir um único. Os mesmo que partilharam links do Paco de Lucia no Facebook sem saber sequer o que é flamenco. Os mesmos que nunca mais voltaram a ouvir os Verdes Anos desde que Carlos Paredes nos deixou.


Eu que não tenho interesse especial na música de Bowie, embora conheça o mínimo suficiente para reconhecer o marco que Bowie é na música junto de outros nomes. Não obstante de géneros musicais. Michel Jackson, Jimi Hendrix, John Lennon, Jim Morrison, Dio e muitos, muitos outros. Senti o constrangimento de quem tinha Ziggy Stardust com frequência nos seus headphones perante quem inundou as redes sociais com clamores de músicas que acabaram de pesquisar no Spotify.
Porquê esta necessidade de afirmação? Porque não pode cada um partilhar livremente aquilo que de gosta, sem medo e sem a pressão social do efeito manada?
Isto seria apenas um acto de honestidade consigo próprio. Ouvir e sentir a música e o que ela transmite. David Bowie disse à revista Playboy Bowie m 1976: "It's true - I am a bisexual. But I can't deny that I've used that fact very well. I suppose it's the best thing that ever happened to me." (da Wikipédia, again). Foi um acto de coragem e honestidade consigo mesmo e com os outros. Porque não conseguimos ser honestos connosco próprios, pelo menos, nos nossos gostos musicais? 
Nunca convivi bem com a expressão "guilty pleasure".

 

Aos que conseguiram esse Movimento Prepétuo, como David Bowie. Obrigado.

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publicado às 19:13