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Religiosidade.

por Volátil, em 22.11.15

A minha relação com a religião tem sido mais ou menos assim, nascido numa aldeia do alto Douro a igreja faz parte integrante de ser português e de ser cidadão da aldeia. Ninguém questiona isso. Por mais dura, para além de obvia, que pareça esta aceitação cega é importante para extrapolar e entender a vivência noutras religiões. 
A escola primária de modelo salazarista, com o respectivo crucifixo por cima do quadros e as regulares visita do velhinho Sr. Padre Joaquim foram o meu primeiro contacto com a religião. 

Não creio que alguma vez tenha sentido no meu íntimo que fazia realmente parte da religião. E chegava o Natal. E a Pascoa. E as festas da aldeia em honra de S. Lourenço, mártir condenado a ser grelhado vivo e que segundo a história estando já deitado na grelha e a queimar de um dos lados terá dito "Podem virar, deste lado já está."

Mais tarde, já em Coimbra, estudei num pequeno colégio de (algumas) muito simpáticas freiras. Colocado lá pela minha mãe. Nada nestes quase meia dúzia de anos me preencheu de crença de qualquer espécie. Vários retiros espirituais em Fátima. Várias missas. Várias actuações de uma grupo corar com uma um horrível uniforme que nos obrigavam a vestir. Nada disse me fez acreditar e reger a minha vida no sentido de viver uma religião. 

Participo nas festas dos Natal e da Páscoa com um sentido de uma manifestação cultural. É uma manifestação cultural mais do que religiosa. O que não significa que se desvirtuem valores como a união da família, a paz e o sentido de comunidade. Não o faço com medo do inferno. Chantagem tão utilizada em crianças que sempre me pareceu o lado mais perverso do catolicismo. Chantagem que, já em criança, merecia a minha desconfiança.

 

Às vezes entro numa igreja - acho que nunca entrei numa mesquita, mas penso que não será muito diferente - e fico ali sentado a ouvir o silêncio (prefiro quando não está ninguém). E é esta a minha maior vivência religiosa.

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Parte da cúpula de Brunelleschi na catedral Santa Maria del Fiore, em Florença. (03/2015)

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publicado às 20:31