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Refugiados na Internet.

por Volátil, em 03.09.15

Várias imagens de um horror complicado de descrever têm vindo a espalhar-se pelo Twitter. Milhares de pessoas tentam fugir às atrocidades da guerra que lhes roubou a casa e o país. A solução para estas pessoas é muito complicada, politicamente mas sobretudo socialmente. Enfrentar esta dificuldade - que existe - não é fugir de ela não está presente.

Um fenómeno recorrente na internet e em particular no Twitter, é a proclamação da integridade moral. Somos boas pessoas. Podem verificar isso pelas tag que usamos. #refugiados #ajudem. Depois é importante encontrar inimigos próximos. Pois se não houver ninguém a quem apontar o dedo ou torcer o nariz como se fosse uma maçã podre não se poderia denotar, por contraste, essa grande fibra moral.

Reenviam e repetem as apeocidades que recriminam. Replicam a piada de mau gosto cascando no seu autor. É aqui que entra a velha e chata - tão chata - história dos limites do humor vs. liberdade de expressão.

Não há para mim maior hipocrisia que esta. A utilização daquilo que se critica para servir de elevação moral. Para se poder anunciar "olha que nobre que eu sou, vês?"

 

Esta é a razão que nunca publiquei nenhum trabalho de voluntariado que fiz no meu CV ou nunca utilizei nada que tenha feito para ajudar alguém como uma forma de fazer conversa de enaltecer caracter. Não é segredo. Apenas acredito que fazer é mais importante do que mandar bitaites na net em guerrinhas semânticas estúpidas. Nobre é dar sem tentar extorquir alguma coisa em troca, seja o que for. 

Hashtags e tweet não ajudam ninguém a não ser quem os usa para massajar ego.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 23:15