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Perguntas.

por Volátil, em 27.11.14

Perguntar "porquê?" é das ferramentas mais úteis e que se desenvolvem mais cedo num ser humanos. Basta observar um puto de 2 ou 3 anos durante cindo minutos e começar a contar as interrogações. Pouco depois do desenvolvimento da linguagem os porquês aparecem como um vulcão que cospe lava incandescente em todas as direcções. "Porquê?". "Como chama-se?". "O que é isso?. "Para que serve?". "E porquê?. Parecem balas disparadas de uma AK-45. Com o tempo, e com a progressiva análise critica do ambiente em redor, é de salutar que esta força se mantenha, mas que seja dobrada, armazenada e canalizada para que seja energia potável. 

A ciência vive muito desse turbilhão de interrogações que aparece na infâncias alimenta-se dessa curiosidade pelo funcionamento das coisas, mantendo-se até ao fim da vida. Se for aproveitado, encorajado e cultivado.

É por isso que este "core" comum às diferentes áreas cientificas se tenda a aproximar e unificar. Das primeiras coisas que aprendi na faculdade foi que: biologia é química, química é física e física é matemática. Assim e comum está um "como funciona?". Como funcionamos nós?. Como funciona o mundo?

Um dos problemas que me afectaram e que acho um falha importante no sistema de ensino (e porque não dizer também na mentalidade e cultura das gerações contemporâneas) é, justamente, o medo de fazer perguntas.

Na primeira pessoas do singular, digo que uma das coisas que mais me incomoda é a minha ignorância. O facto de a declarar publicamente por uma pergunta que possa ser considerada estúpida me deixa a tremer. Ao longo dos anos aprendi a controlar isso e quase que consegui. O primeiro passo para se aprender alguma coisa é assumirmos a nossa ignorância. Custa horrores, bem sei. Mas no final vale tanto a pena que o organismo se vai habituar facilmente a essa cedência de orgulho parvo.

 

Hoje fizeram-me uma pergunta. Alguém estava muito doente e precisava de alguns medicamentos para o tratamento sintomático do que me parecia uma gripe. Contudo, a pessoa, leiga no assunto, que fez a pergunta trazia todos um diagnóstico e role de medicamentos já preparados esperando apenas um "sim, é isso", transferindo nesse momento toda a responsabilidade para a minha pessoa e desligaria o telefone ficaria com a sua sapiência clínica carimbada e validada. Acontece que estava tudo errado. Contudo, preferindo ter (ficticiamente) razão a ser convenientemente tratada, optou teimosamente pela sua ideia ignorante e errada.

(Lavei dali as minhas mãos e fui tomar um café [nenhuma vida estava em risco!]).

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publicado às 22:02


1 comentário

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De Sofia a 28.11.2014 às 00:14

Custa-me horrores perguntar, dar a entender a minha ignorância... que é imensa em inúmeros assuntos. Mas sim, já aprendi que deste modo nada se aprende; a idade também nos ensina estas coisas.

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