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O Paradoxo do Preconceito.

por Volátil, em 04.08.15

Parece-me que existe algo catártico em chamar sexista, racista, homofóbico, xenófobo a alguém. Tais termos saem do coldre com uma facilidade sem precedentes. O que há de tão gratificante em chamar tudo isto a alguém nos mais pequeno dos pormenores? Estamos a separar-nos desses grupos perniciosos e contribuímos para a sua identificação e extinção. Quando nos dirigimos a alguém neste termos, por um mísero pormenor de linguagem por exemplo, estamos a elevar a nossa integridade moral acima da cabeça.

 

"Projecção Freudiana", é um conceito na psicologia desenvolvido por Sigmund Freud. Trata-se de um mecanismo de defesa psicológico em que determinada pessoa projecta seus próprios pensamentos, motivações, desejos e sentimentos indesejáveis numa ou mais pessoas. Na linguagem e sabedoria das criança esta figura da psicanálise pode ser resumida pelo simples "quem diz é quem é".

 

Não acredito que todas as pessoas que acusam alguém de racismo sejam elas próprias racistas. Este mecanismo existe apenas nos pequenos pormenores. Que muita gente adora catar.
Um dia em conversa entre amigos queria referir a um determinado filme do que já não me recordo. Lembro de estarem vários colega no bar da faculdade, um dos quais cabo-verdiano. Quando eu disse, para identificar um determinado actor, do filme era preto ficou um silêncio constrangedor. Porquê? Porque eu disse a palavra "preto" ao lado de um cabo-verdiano. Foi logicamente uma tentativa de identificar uma pessoa da qual n sabia o nome pela característica mais evidente... o individuo também era careca, havia mais carecas, não ia funcionar! Para mim é neste cuidado especial que reside o preconceito. Ainda hoje me lembro daqueles segundos de silêncio. Quando contemos o nosso comportamento normal e espontâneo numa situação perfeitamente banal... estamos a ser verdadeiramente racistas. 

 

O racismo existe, assim como o sexismo, a homofobia, a xenofobia. Existem todos. A necessidade de existirem forças contra a restrição das liberdade e dos direitos humanos nunca se devem calar. Contudo, na busca pela igualdade ela é melhor verificada nos aspectos negativos do que nos positivos. Fica sempre bonito dizer bem de alguém.... mas sempre que não dizemos mal de alguém, como normalmente faríamos, só porque essa pessoas é gay, de outra religião, tem uma cor de pele diferente da nossa... neste exacto cuidado extremo, pensado e repensado, estamos na realidade a ser aquilo que não queremos parecer. Não há maior hipocrisia do que o tratamento especial.

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publicado às 22:21