Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



O nosso movimento browniano.

por Volátil, em 02.01.16

É costume ouvir dizer que os amigos são a família que escolhemos. Ouvi isto várias vezes e de todas as vezes fico a pensar, será mesmo possível escolher de quem gostamos?

Os amigos e amigas, mas principalmente as que são mais do que isso, não o são por escolha racional. Não acredito que haja alguém,  livre de interesses secundários, que consiga deliberadamente escolher os seus amigos, amigas, namoradas... and so on.

Aceitemos, por redução ao absurdo, que isto é verdade, que podemos efectivamente escolher de quem gostamos - e quão conveniente isso seria! Que algoritmo nos aproxima? Os nossos gostos semelhantes? Teremos de gostar de toda a gente que gosta de Pink Floyd, por exemplo? Ou são as nossas diferenças, quase descritas pela Lei de Coulomb, que nos atraem e completam?

Não acredito em nenhuma destas explicações porque é fácil verificar que são ambas descrições reais das relações humanas. Ambas se verificam e, não raras vezes, em simultâneo.

  

Resta a sorte.

É sorte gostar de alguém. Tem de ser sorte. Porque se fosse possível escolher, aproveitando o movimento browniano que nos fez chocar, escolheria gostar de ti mais do que tudo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 15:35