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O Jogador, Fiódor Dostoiévski - Capítulo II

por Volátil, em 22.06.14

«Ontem, porém não me disse todo o dia uma palavra sequer sobre o jogo. Na verdade. Evitou mesmo falar comigo ontem. A sua anterior atitude em relação a mim não mudara. O mesmo tratamento indiferente de quando nos havíamos encontrado, e até uma pontinha de desprezo e hostilidade. Nem sequer procurar ocultar a antipatia que sente por mim; dectecto-a. Não obstante, também não oculta que por algum motivo lhe sou indispensável ou que conta comigo para algo que desconheço. A relação que se estabelece entre nós é estranha e em grande parte incompreensível aos meus olhos, considerando o seu orgulho e arrogância para toda a gente. Sabe, por exemplo, que estou loucamente apaixonado por ela, e permite que lhe fale da minha paixão, e, claro, nada exprimiria de forma mais completa o seu desprezo do que esta autorização para falar livremente e sem censura do meu amor. Equivale a dizer “Tenho em tão pouca conta os seus sentimentos que não faz para mim a menor diferença o que me disser ou o que sentir pela minha pessoa”. » 

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publicado às 12:09