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Não se pode matar um vírus.

por Volátil, em 03.08.14

Os vírus são provavelmente as entidades mais assustadoras de entre todos os causadores de doenças. Proteínas rearranjadas em diferentes formas que servem de transporte à maquinaria de produção em série de novas cópias de si próprio. Sem mais nada. Não há metabolismo. Não há vida. Apenas estruturas que contêm só o material genético e enzimático para se replicar uma vez dentro da células alvo. É de tal forma desconcertante que o que um vírus faz seria o mesmo do que entrar numa fábrica da Coca-Cola e fazer com que ela produzisse Pepsi.

 

Do vírus da Gripe (Influenza) ao Ébola, há uma variedade de formas de transmissão e de perigo para os humanos. Neste momento o mundo, não é só África que tem que se preocupar com isto, está a braços com uma descontrolada epidemia do mais letal vírus conhecido, com uma taxa de sobrevivência de 5%, é assustador o estrago que uma estrutura sem vida própria pode fazer. O Ébola.

 

A razão pela qual o Ébola é tão letal, é porque à semelhança do HIV, afecta o sistema imunitários. Contudo, ao contrario do HIV que se aloja nas células T do sistema imunitário, o Ébola consegue penetrar em quase todas as células imunitárias o que o leva a conseguir rapidamente destruir o organismo de dentro para fora. E acontece uma de duas coisas, ou o sistema imunitário não se aperceba que o corpo foi invadido por um ente estranho ou então faz com que começe a "disparar" para todo o lado sem saber o que se está a passar.

Assim, a produção de moléculas pro-inflamatórias, o que dá origem às febres altas. Ainda destroi o endotélio dos vasos e intromete-se na cascata da coagulação dando origem a hemorragias incontroláveis. Ou seja febre hemorrágica. 

 

O contágio é feito através do contacto directo com sangue e outros fluidos corporais. E é natural que o tratamento do cadáver infectado seja crucial para evitar uma epidemia. Algo que é complicado na África Ocidental, por razões obvias. Contudo, do ponto de vista do alargamento do vírus à Europa e América é pouco provável que isso venha a acontecer, visto que o contacto com o vírus tem que ser muito próximo, o que não acontece com o Influenza ou SARS. Na remota hipótese de uma pessoa infectada viajar para outro país a única coisa que hoje se pode fazer, por mais cruel e desumano que isto possa parecer é: identificar, isolar e morrer.

 

 

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publicado às 18:20


1 comentário

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De Sofia a 20.11.2014 às 12:53

Aqui está um belo texto, capaz de fazer a mais ignorante das criaturas - ao que a esta matéria diz respeito - entender alguma coisa sobre o assunto. Confesso que não tive disposição para procurar saber mais sobre o assunto mas, de tudo o que me foi aparecendo, nada me esclareceu melhor. Trocar a informação por linguagem acessível a todos, só revela inteligência; ainda assim, nem toda a gente sabe o que raio é o endotélio...
Obrigada.

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