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Mais uma Saraivada, mas atenção.

por Volátil, em 02.01.15

A internet tem alvos predilectos. Em várias redes sociais há sempre o individuo que teve a infeliz ideia de escrever ou dizer alguma coisa que vai contra a opinião da maioria e por isso é achincalhado durante um dia como purga para os seus pecados de opinião. 

O arquitecto José António Saraiva é um desses indivíduos. Gente que não faz nada, não decide nada mas que com as suas opiniões viram o Twitter do avesso. Normalmente são extremamente preconceituosos e homofóbicos e xenófobos não reúnem, evidentemente, grande simpatia junto das pessoas que utilizam estas redes. 

O senhor arquitecto escreveu ontem um artigo em que eu, excepcionalmente, o apoio. É certo que por força da memória muscular, caiu-lhe logo em cima uma saraivada de criticas.
Resumidamente, o artigo diz que dinheiro nas mãos dos ricos terá mais rendimento do que dinheiro nas mãos dos pobres. E dá vários exemplos de casos de gente que ganhou grande quantias de dinheiros em jogos como o Totoloto e que anos depois de vêem na miséria. 

 

Ora bem...

A maioria das criticas faz um confusão entre riqueza (aqui aplica-se melhor o termo inglês wealth) e dinheiro. Money isn't wealth. Parece-me óbvio que a aquisição de uma pequena fortuna (ou grande) nas mãos de quem não terá capacidade, à partida, para gerir não poderá multiplicar-se. É muitas vezes dito, e não sei citando quem, que se o dinheiro do Mundo fosse redistribuído igualmente por todas as pessoas ele tenderia a regressar às mesmas mãos. 
Acho que é um pouco doloroso acreditar nisto, mas é simples de perceber a sua veracidade. Para fazer dinheiro, nos modelos económicos e de desenvolvimento actuais, é preciso dinheiro logo à partida. 
Aqui no burgo há um senhor que chama às moedas de 1, 2 e 5 cêntimos "sementes". E ele está certo. É a partir dessas "sementes" que se colhem os grade frutos, deitando-as à terra, investindo tempo, trabalho conhecimento, contactos, tentativas, trabalho, alguma sorte e outra vez contactos. O dinheiro como meio de criação de riqueza será mais facilmente bem sucedido nas mãos de quem está acostumado a instrumentalizá-lo. 

Em segundo plano estava a felicidade associada ao dinheiro. Uma questão é dúbia. O primeiro impulso de um pessoas que ganha uma grande quantia é torrar tudo em putas e vinho verde, com uma vontade imensa de se libertar das amarras da pobreza e abraçar assim a abundância. Contudo são relatados casos de mentiras, traições e divórcios por causa desse mesmo dinheiro. Isso não parece nada de quem está feliz.

Deveríamos nascer todos com as mesmas oportunidades, mas infelizmente o mundo não funciona assim... e nem todas as pessoas têm a capacidade de transformar, por si, dinheiro em riqueza (wealth). E esta riqueza sim, poderá trazer abundância e felicidade a mais pessoas. 

 

O senhor Saraiva, não obstante de ser um homofóbico primário e uma besta quadrada incontáveis vezes... não está errado.

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publicado às 22:44