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#JeSuisCharlie

por Volátil, em 08.01.15

Todos sabem o quase passou na redacção do jornal satírico francês Charlie Hebdo, ontem, dia 7 de Janeiro de 2015. Foi horrível. As minha condolências.


Não é isso que quero comentar. Quero comentar a produção de comentário no peculiar ecossistema das redes sociais. Quando acontece alguma coisa tão terrivelmente inenarrável no mundo o fluxo de opinião nas redes sociais (para facilitar vou utilizar o Twitter como modelo) segue um determinado padrão que vou tentar delinear. 

A perplexidade inicial de um acto brutal cai nas noticias como uma bomba, meio atordoada, a opinião pública limita-se a reproduzir as primeiras linhas dos jornais de forma directa - Fase 1 -. Seguem-se os primeiros comentários que marcam normalmente o sentido emocional mais elementar, o horror, a tristeza, o ódio - na Fase 2 -. As leituras politicas são quase inevitáveis e é aí que começa o caos. A luta entre a direita e a esquerda, duas pontas do mesmo novelo, é tida como uma luta épica entre o Bem e o Mal - Fase 3 -. Quem representa a verdadeira luta pela liberdade de expressão e quem a exerce? Quem é Charlie e quem não é verdadeiramente Charlie?
Eis que aparecem os iluminados, auto-proclamados donos da verdade, da inteligência e da mais singular sagacidade que pode existir - Fase 4 - esse, que vêem o cerne da questão a quilómetros de distância dos demais. Eles acham que o exercício de uma opinião contrária é pura ignominia. Ou mesmo um opinião idêntica, pode tornar-se numa ameaça à clarividência única desses adiantados mentais. Assim, engrossa a pequena guerra de opinião já apartada da noticia que lhe deu origem - Fase 5 -. Uma opinião moderada é tida como cobarde, e a guerra novamente - Fase 6 -.

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publicado às 20:52