Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Homeopatia, similia similibus curentur my ass!

por Volátil, em 07.12.15

As terapêuticas não convencionais estão na moda. Nomeadamente a homeopatia que beneficia de estar incluída neste termo abrangente juntamente com outras terapêuticas como acupunctura, com alguma evidência comprovada. 
Então, parece que o Bloco de Esquerda sempre orgulhosamente na linha da frente das maravilhosas terapêuticas não convencionais quer "regulamentação da prática da homeopatia" acreditando-a por arrasto.

 

A homeopatia apareceu no século XVIII por um alemão chamado Samuel Hahnemann. O que ele fazia era recolher algumas plantas e verificar a sua acção em indivíduos saudáveis. Poderia administrar extracto de quina (Cinchona officinalis) a um indivíduo saudável e ele aparecer com febre e, segundo a lógica fundada por Hahnemann, se administrar quina a um indivíduo com malária os sintomas de febre iriam desaparecer - Similia similibus curentur, semelhante pelo semelhante se cura.
É aqui que para mim esta baralhada toda tem início, a mistura de terapêuticas à base de plantas com homeopatia e com as "terapêuticas não convencionais".
De facto a Cinchona officinalis tem na sua casca um composto alcalóide chamado quinino que tem acção tóxica sobre o  Plasmodium, parasita da malária. Existem vários medicamentos desenhados a partir desta molécula como a hidoxicloroquina (Plaquinol) com várias indicações terapêuticas para alem de anti-maláricos.

A acção medicamentosa de algumas plantas é conhecida há milénios. A fototerapia, tantas vezes confundida com a homeopatia, é a terapia pela utilização dessas plantas. Uma disciplina que estuda esta área da terapêutica chama-se farmacognosia. 
É natural que as plantas encerrem em si um vasto leque de moléculas com acção sobre organismos do reino animal. Pela pressão selectiva, as plantas, não possuindo locomoção, têm de se defender, persistir e propagar no meio por outras formas. Frutos, esporos, moléculas biologicamente activas. Estas moléculas foram "esculpidas" tendo chegado algumas aos nossos dias com acções farmacológicas diversas.
Como disse Paracelso no século XVI, "a diferença entre o remédio e o veneno é a dose" a acção das plantas deve ser aplicada com conhecimento e cuidado. Estando completamente errada a ideia de que "o que é natural não faz mal" que também está muito na moda. A cicuta... é natural!

 

dilution.png

A homeopatia tem por base esta ideia de que uma planta que provoque determinado tipo de sintomas mum indivíduos saudável tem o potencial de curar ou tratar uma doença que apresente o mesmo quadro sintomático após a sua administração num doente.
O que fazem na sua prática corrente é pegar numa solução concentrada dessa determinada planta ou de várias e diluir umas gotas num litro de água. Depois é abanar o frasco e retirar outra gota para diluir noutro frasco de água voltando a agitar bem o recipiente, para "dinamizar" a solução, depois pega-se ainda noutra gota e dilui-se novamente em mais  um litro de água e volta-se a agitar para a "memória da água" ficar bem "dinamizada".
Por fim, as pessoas tomam isto como se fosse um medicamento. 

 

 

A homeopatia tem efeito. Claro que tem. Chama-se efeito placebo, da mesma palavra em latim que significa "agradarei". Este termo designa o efeito não especifico que um individuo diz sentir pela administração de uma substância farmacologicamente inerte. Normalmente, estas preparações, às quais não irei chamar medicamentos, são preparadas com quase 100% de substâncias agradáveis por si só como o açúcar ou até álcool levando o individuo a ter sensação de acção quase imediata. É uma ilusão. Se a pessoa toma e sentiu alguma coisa... é porque teve efeito. Será este efeito inconsciente que somado à crença no efeito terapêutico leva ao "efeito homeopático" que as pessoas dizem dizem sentir.
Assim, um placebo tem exactamente o mesmo efeito que um produto homeopático como está provado por diversos ensaios clínicos  de Homeopatia Vs. Placebo (aqui, por exemplo). E como prova também o medo dos homeopatas em não sujeitar as suas práticas aos rigorosos métodos de avaliação a que a medicina é sujeita.

 

Vários cientistas portugueses têm alertado para estes casos de pseudociência, como por exemplo David Marçal, doutorado em bioquímica, num livro chamado Pseudociência.

 

A homeopatia em per se não é perigosa... é apenas água e açúcar. O que é perigoso é estar-se a fazer a acreditação de ilusões e de banha da cobra. Perigoso é o Estado dizer às pessoas que reconhece uma pratica como sendo "terapêutica" e que os doentes podem ter escolha entre duas soluções para a sua doença... quando na realidade têm uma solução e um perigoso "não tratamento".

 

howdoeshomeopathywork.com

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:03