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Da a surpresa de ser.

por Volátil, em 30.03.15

Da a surpresa de ser. 
É alta, de um louro escuro. 
Faz bem só pensar em ver
Seu corpo meio maduro. 


Seus seios altos parecem 
(Se ela estivesse deitada) 
Dois montinhos que amanhecem  
Sem ter que haver madrugada.

 
E a mão de seu braço branco
Assenta em palmo espalhado
Sobre a saliência do flanco
Do seu relevo tapado. 


Apetece como um barco, 
Tem qualquer coisa de gomo. 
Meu Deus, quando é que eu embarco? 
Ó fome, quando é que eu como?

 

~ Fernando Pessoa

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publicado às 23:45