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Coração a meia-haste.

por Volátil, em 02.11.14

Albert Einstein estabeleceu que o espaço e o tempo formam uma mesma matriz. Assim quando este fim de semana viajei atrás no espaço também tive a sensação de viajar atrás no tempo.

A terra onde nasci, muitas vezes esquecida pelas forças de atrito dos anos continua a fazer parte de mim. As ruas onde ensaiei o ser que sou hoje diminuíram de tamanho, estão mais cinzentas e os granitos mais frios. As pessoas, as poucas que ainda resistem dos tempos em que por ali corria, ainda se lembram de mim mas tratam-me de maneira diferente. É um sentimento paradoxal que me atravessa. Sinto-me mais perto do passado, das minhas raízes mas ao mesmo tempo fica claro que deixei de ser um deles. 

Senti que cresci feliz ali. E pensei, em que ponto da minha vida eu virei no sentido errado para ter deixado o menino das histórias que a gente da minha terra me dá a recordar? Em que momento é que eu deixei de ser eu? E será que me posso voltar a achar naquelas ruas?

Creio que não. O tempo e o espaço podem ser o mesmo tecido mas nós viajamos sempre no mesmo sentido. Sem retorno. E aquele espaço já não me pertence pois não poderá voltar a existir no mesmo tempo. 

 

Em frente. 

 

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publicado às 21:45