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BES: o Bom, o Mau e o Vilão

por Volátil, em 05.08.14

Reparei que o seguimento cronológico das noticias sobre a queda do BES seguem o patrão do modelo de Kübler-Ross para o luto.

Temos portanto:

1) Negação: Neto de banqueiro, banqueiro é

2) Raiva: Coitado do Ricardo Salgado

3) Diálogo: Ricardo Salgado disponível para colaborar com a Justiça 

4) Depressão: A liberdade custou-lhe 3 milhões de euros 

5) Aceitação: Banco de Portugal e Governo anunciam dinheiro do Estado no BES

 

E é neste ponto que nos encontramos, o BES está moribundo e é o dinheirinho do Estado que o vai resgatar. Já todos vimos este filme.

Faz-me lembrar os filmes Die Hard em que o Bruce Willis é o Contribuinte. 

 

A solução encontrada foi a mesma que se faz à fruta que está um bocadinho para o bichenta. Tiramos a parte ranhosa com uma faca e comemos o resto. Parece que quem vai comer o bicho vai ser a banca e no Novo Banco, o banco bom, que tem a actividade bancária essencial que o BES tinha afastada dos activos problemáticos e do mercado accionista, que vai todo para o "banco mau". Neste Novo Banco vão entrar o estado com 4500 milhões de Euros da troika que corresponde a um fundo cujos empréstimo é da responsabilidade das várias entidade bancárias em Portugal. Parece portanto uma solução razoável e distante da que foi escolhida para o BPN. 

 

A história não acabará aqui. E o contribuinte vai levar por tabela, é um feeling

 

E agora responsáveis? do BPN? do BES? O que acontece a quem confessa ter feito transferência "irregulares" que levaram um banco da dimensão do BES à ruína e sai ligeiro e a rir por papalvos que ficaram a resolver o problema?

Brinca-se com milhões como quem brinca com tostões. É no mínimo imoral.

 

Um país precisa de confiar na banca, mas mais importante ainda, um país precisa de confiar na Justiça.

E Portugal perdeu a fé na Justiça há muito. A venda que simbolicamente tapa os olhos da figura da Justiça já não serve para "não olhar a quem" mas para fazer vista grossa "a quem" todos sabemos.

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publicado às 11:38


2 comentários

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De :P a 05.08.2014 às 17:49

Não é possível perder o que nunca se teve - há muito que " a escumalha " sabe que o Estado português não confunde palha com erva. Não há muitos dias me contava uma senhora da minha terra sobre um filho família da dita terra que, após um camabalacho qualquer (nos anos 50, salvo erro), foi condenado a pena de prisão que cumpriu durante o dia - as noites passava-as em casa. Anos 50, portanto nada a ver com as modernices - simplesmente porque "gente fina é outra coisa".
Também, não há muito, vi uma reportagem numa prisão portuguesa a propósito de não sei o quê, um pilha galinhas que apanhou, uns meses de pildra por um cheque careca de CEM euros.
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De :P a 05.08.2014 às 17:59

Esqueci esta - A seguir ao 25/04/74 uma menina do MRPP comentava com admiração sobre alguém que conhecera recentemente : " é electricista MAS é um gajo porreiro ".
Ou aquela terranente da minha terra, (acho até que "parenta" do outro da prisão domicilária), no café da terra também após " a malfadada data " e à beira da apoplexia sobre uma reivindicação dos seus trabalhadores : "férias! Querem férias! " ( já a coisa era uma conquista dos anos 30 em França!)
Da Bíblia - " o pobre até ao amigo aborrece! "
Suécia, ano de mil novecentos - 1% de analfabetos ; Portugal TRINTA anos depois 80 a 75 % (dependendo do autor) - Ditado português : "para quem é bacalhau basta!"

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