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As duas últimas semanas numa casca de noz.

por Volátil, em 19.05.15

Há coisas a acontecer a uma velocidade alucinante deste lado.
Estou a trabalhar num sitio com vista para uma ponte de granito, um agradável riacho e uma colina com um castelo no topo. O que foi uma mudança enorme a nível paisagístico porque há duas semanas estava a ver camiões a trocar pneus do outro lado da estrada. 

 

Entretanto na vida real da internet (prefiro encarar a internet como a vida real) aconteceram muitas coisas desde que a outra vida, menos interessante, se meteu no caminho. 
Aparentemente os homossexuais com vida sexual (tentei usar outras palavra que não activa, neste contexto, mas não deu...) activa não pode dar sangue. Isto gerou uma onda de indignação porque parece que esta proibição foi criada por pessoas homofóbicas com o intuito único de segregar estas pessoas. Em oposição está colocada a hipótese de um heterossexual em que o seu companheiro/a é seropositivo poder dar sangue esperando 6 meses do contacto sexual. A visceral, latejante, explosiva indignação, esquece que, quer queiram ver isso quer não se queira, os dados estatísticos e o prognatismo, necessário nestas matérias de saúde, indica que indivíduos homossexuais constituem um grupo de risco e que há a necessidade de proteger os receptores do sangue recolhido. Tudo em Portugal está atrasado e os recursos são cada vez mais em extinção, assim também estão estas regras de selecção dos dadores de sangue. Não porque quem as escreve serem uns homofóbicos de merda, como a maior parte dos títulos das noticias querem dizer injectar, mas porque é assim que se deve proceder no status quo existente neste rectângulo. 

Há anos que é possível fazer análises de HIV através da saliva e até de sangue seco. Nos EUA um individuo pode comprar um kit, passar um cotonete gigante na boca ou picar o dedo e deixar uma impressão digital de sangue num cartão postal, enviar pelo correio e esperar, o mais tranquilamente possível pela resposta. Fixe, não é? - Em Portugal não há enquadramento legal para este tipo de produtos existirem - e assim concluímos que o atraso não é homofóbico mas é cientificamente retrogrado de uma forma bastante constrangedora... do modo mais pragmático possível... mas por alguma razão, que nenhum não profissional da psiquiatria poderá explicar, sentimos que somos melhor pessoas por apontar o dedos e tirar do coldre as palavras "homofóbico" e "ignorante" em vez de tentar perceber a razão das coisas e a forma de as mudar... pragmaticamente.

 
Depois, apareceram vídeos na internet com um garoto a ser vítima de bullying por parte de um grupo de garotas e garotos. Toda a gente na internet, de novo, com mais visceral, latejante, explosiva indignação! (Porque não importa qual o impacto de um determinado assunto, a resposta é sempre de intensidade máxima!). O miúdo levou porrada e alguém gravou. E todos perguntam "como é possível? Isto não era nada assim!!!". É isto eu acho perturbador. Caro que isto não existia! O que hoje não está gravado não existe... mas há uma década não andávamos com câmaras de vídeo nos bolsos, meus idiotas! Vivemos uma sociedade em que se protege o agressor, porque o agressor é cool, a não ser que haja provas irrefutáveis. Nesse caso os agressores são socialmente esquartejados nas redes sociais pela mesmas pessoas cool que gozaram anos a fio com o nerd da turma achando que afinal estavam só a brincar. (Seus hipócritas de merda!). 

 

O Benfica foi bicampeão nacional! (Viva o Benfica!). A festa foi tão grande que tenho dificuldade em imaginar a festa que será quando o Benfica for campeão europeu. 
Lopetegui ajoelhou ao terceiro ano conforme as escrituras e Jesus subiu a um status de mestre (não o imaginava!)

 

Aparece mais um vídeo que gerou a mas elevada visceral, latejante, explosiva indignação! Um policias com a colaboração de mais uns quantos companheiros são filmados a agredir um pai em frente ao filho de 5 ou 6 anos com uma brutalidade desmedida. As imagens estão a correr o mundo e a gerar uma onda de revolta contra o abuso de força policial patente no vídeo.  
Mais um vez o abuso de autoridade existe porque está gravado e foi perpetrado contra um jovem pai de família, benfiquista, português e caucasiano... em vez de um preto, cigano ou habitante de um bairro social que não têm câmaras apontadas quando levam porrada por estarem no sitio errado à hora errada. Portanto... #PicturesOrBullshit, não é assim?

 

Deixem-se de merdas que eu também vou tentar.

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publicado às 23:11