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Anti-Vaxxers.

por Volátil, em 11.07.15

Há modas. Há modas irritantes. Há modas irritantes e toleráveis. Há modas irritantes, intoleráveis, inaceitáveis e que quem as segue merecia levar com uma vara de marmeleiro no lombo.

Existem poucas coisas neste momento que me irritem mais do que o movimento anti-vacinação. Apareceu nos EUA, o grande pulmão da estupidez deste planeta, depois de ter sido difundido um artigo publicado na revista The Lancet que ligava directamente o autismo com a vacina Sarampo/Rubéola/Varíola. Este artigo, publicado em 1998, já e amplamente refutado por uma quantidade massiva de trabalhos científicos e retirado em 2004 pelos próprios autores, contudo continua a servir de bandeira para os fieis anti-vaxxers.
A pseudociência estará sempre presente, haverá sempre hippies que preferem sucumbir ao sarampo ou à rubéola do que "injectar o veneno capitalista da vacina". O caso começa a ser realmente preocupante quando aparecem noticias de surtos de tosse convulsa nos colégios mais ricos de Los Angels, onde as taxas de vaccinação começam a apresentar valores semelhantes aos da África subsaariana (aqui) - ficamos com uma ideia clara, o dinheiro e o nível de vida não estão directamente relacionados com o esclarecimento cientifico das pessoas #idiocracy. 
As redes sociais servem de caixa de ressonância deste movimentos espalhando-o pelo mundo. Um menino de 6 anos morreu em Espanha com difteria (aqui). Por opção dos país não foi vacinado. Não havia um caso de difteria em Espanha há 30 anos, onde a taxa de vacinação rondam os 96%. Esta criança não morreu de difteria, morreu da estupidez dos país. Porque como vemos a estupidez é contagiosa e pode matar. 


No meio disto tudo aparecem também alguns "cientistas" cépticos da vacina. Apesar de serem constantemente refutados por trabalho científicos sólidos conseguem sempre engrossar o mortífero movimento. Ainda assim percebo que as pessoas fiquem apreensivas quando biólogos, médicos e cientistas em geral põem em causa a vacinação, mesmo que erradamente. O que me custa a entender é que o peso da opinião de uma figura pública como um actor, uma modelo ou um cantor sejam tomados como pareceres credíveis e que ajudem a esta banbochata. Por exemplo Jenny McCarthy, Jim Carrey e mesmo Donald Trump... são estes os conselheiros de saúde pública dos que não vacinam as suas crianças.

 

O pai da vacina Edward Jenner deve estar a dar voltas no tumulo. Jenner e todos os homens e mulheres a quem devemos a baixa taxa de mortalidade infantil que ajudaram a erradicar doenças como a poliomielite têm o produto do seu esforço posto em causa. Será possível desenvolver uma vacina contra a estupidez?

A humanidade não vai sucumbir a um meteorito como os dinossauros. Vai ser pior. A humanidade vai sucumbir à estupidez.

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publicado às 11:43