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A tudo o que chamamos "Chá".

por Volátil, em 14.01.15

Na América colonial, no ano de 1773 o chá deu inicio a uma revolução. 
O chá era muito consumido nas colónias britânicas e o Parlamento decidiu acrescentar-lhe um imposto e ceder a venda deste produto em exclusividade à Companhia das Índias. Isto gera uma revolta entre os colonos britânicos na América pelo tratamento diferencial a que estavam sujeitos como englishmen.
A 16 de Dezembro do mesmo ano três navios da Companhia das Índias carregados de chá foram tomados de assalto no Porto de Boston e a sua carga foi lançada ao mar. Estava em marcha a Revolução Americana que culmina com a assinatura da Declaração da Independência, promulgada a 4 de Julho de 1776.

Do outro lado do Pacifico a tradição da "Cerimónia do Chá" é um ex libris da cultura nipónica. Ou chanoyu, como se chama em japonês. Tendo origem Chinesa, o matcha, chega ao Japão no século XII. A cerimónia do chá é um momento de silêncio, calma, tranquilidade religiosa que obedece a um grande número de regras de etiqueta peculiares, para a cultura ocidental. Trata-se de uma forma de o anfitrião receber bem, é um demonstração de respeito mas também de amor, sendo comum nas cerimonias de noivado. 

 

Normalmente diz-se "chá" para designar uma qualquer infusão. Mas eu vou ser picuinhas e separar o "chá" em três grupos distintos.
Chá é na realidade uma única planta, a Camelia sinensis. A partir dela é produzida a conhecida infusão utilizando apenas as suas folhas.
Assim temos o Chá Vermelho, Verde, Preto e Branco. 


Para produzir o Chá Verde recolhem-se as folhas jovens, são trituradas e sujeitas a vapor de água que desnaturam as enzimas responsáveis pela fermentação. 
O Chá Preto são as folhas maduras sujeitas a processo de fermentação. Ficam em camadas a secar durante algumas horas a temperaturas elevadas (25-30ºC).
O Chá Vermelho não é sujeito a um processo de fermentação completo.
O Chá Branco é apenas constituídos pelos brotos da planta, muito jovens, que não sofrem oxidação.
Há ainda o Earl Grey, desenvolvido por um conde inglês chamado, justamente, Grey, e não é mais do que o Chá Preto, fermentado, impregnando com óleos essenciais da casca da tangerina.

A tudo isto de chama Chá. A tudo o resto devemos chamar Infusão. Infusão de Camomila, de Cidreira, entre outras. Trata-se de um processo de extracção de substâncias de origem vegetal através da passagem de água quente pelas plantas ou partes da planta triturada.

Ligeiramente diferente é a Tisana, que consiste em levar à fervura a matéria vegetal durante alguns minutos. Tem geralmente um coloração e paladar mais intensos do que a infusão. 

 

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Dentro do chá preto podemos elevar ainda mais o nível de picuinhice. 

As folhas da Camelia sinensis têm nomes próprios.
A última folha do ramos chama-se Orange Pekoe, as duas folhas seguintes têm o nome de Pekoe, a quarta folha é a Pekoe Souchong e a quinta a Souchong.
Estas folhas, colhidas separadamente, dão origem a lotes diferentes de chá preto.


Na Europa há uma única fabrica em funcionamento que cultivar e produz chá. Fica na Ilha de São Miguel nos Açores e chama-se Gorriana.
O chá preto Gorriana está dividido em três lotes distintos: Orange Pekoe, Pekoe e Broken Leaf. É apenas uma questão de provar.

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publicado às 21:14