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A rapariga que vendia doces.

por Volátil, em 27.07.14

Domingo. 10 horas e 32 minutos da manhã. A rapariga que vendia doces, debruçada sobre o balcão das gomas coloridas, olhava para o fundo do centro-comercial com um olhar vago e triste. Tinha uma comprida trança preta com um pequeno laço amarelo na ponta. 

Havia à sua volta todo de gomas, chupa-chupas, marshmallows e outros doces, muitos com grandes smiles e bonecos como a Hello Kitty e os Simpsons, que contrastavam tanto com a tristeza da bonita e triste face da rapariga como com a sua trança preta.

Achei irónico o contrate da tristeza com os doces.

Depois pensei, quantos daqueles doces vão servir para preenches um espaço que a tristeza deixa? Talvez em outras raparigas igualmente melancólicas. Conheço quem coma compulsivamente doces enquanto soluça e carpe as suas mágoas (mas isso é outr história!).

 

No jornal, o cessar-fogo em Gaza não demorou o tempo para se conseguir tirar os cadáveres das ruas. Mas era aquela tristeza de trança preta que me estava a incomodar mais. Fiquei confrangido. Eram 10 da manhã de um domingo e um jovem estava num centro comercial quase vazia à espera de quem queira doces. 

 

Como conhecia a moça que trabalhava no café contei-lhe uma anedota assim que voltou com a bica e a água das pedras do costume. Suficientemente alto para a menina da trança preta que vendia doces também ouvir.

 

Dois alentejanos:

- Compadre, a sua vaca fuma?

- Ora atão, a minha vaca fuma lá'agora!

- Ah, então olhe que o seu palheiro está a arder!

 

Passei a água da garrafa para o copo e depois olhei para ela. Estava a rir. Valeu a pena armar-me em actor dos Malucos do Riso.

 

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publicado às 22:40