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A apologia do falhanço.

por Volátil, em 10.05.15

dh_wawrinka-20140123072230520889-620x349.jpg"Ever tried. Ever failed. No matter. Try Again. Fail again. Fail better." Escreveu  Samuel Beckett.
Fui à Wikipédia e "Samuel Beckett foi um dramaturgo e escritor irlandês. Beckett é amplamente considerado como um dos escritores mais influentes do século XX." 
Aparentemente muitos atletas de alta competição gostam deste escritor irlandês porque têm a supracitada frase tatuada nos seus corpos."Try Again. Fail again. Fail better". Pode ler-se no braço esquerdo do tenista Stanislas Wawrinka. Sendo que eu entendo a força motivacional confinada nestas palavras e em todas as outras que estão agora muito em voga nomeadamente pela voz dos arautos do empreendedorismo, não consigo perceber como se continua a descurar os custos de um falhanço.
Todas as pessoas têm recurso. Físicos. Emocionais. Financeiros. Todos esses recursos são investidos nas nossas tentativas. Não sendo os recursos infinitos ou renováveis. A persistência nos erros, ainda que em erros diferentes, sem a presença de balões de oxigénio de sucesso que nos permitam continuar a injectar comburente para o nosso empreendimento... a chama vai acabar por se extinguir. 
Quando se faz um discurso motivacional não se fala deste ponto. Não interessa falar. Interessa elevar as pessoas acima de si próprias - um pouco como fazem às pessaos que vão de cadeiras de rodas à IURD - e tentar com que elas reúnam os seus, por vezes escassos, recursos num ultimo fôlego, quase sem pensar muito nisso. Sem pensar no processo e nos meios. Sem um esforço de calculo, de premeditação, falhanço aqui em apologia vai acabar por se concretizar.
Aparentemente isso é muito bom porque houve tentativa. Tentamos de novo. Falhamos de novo. Sem pensar. Tentamos outra vez. Falhamos outra vez. Gastámos os nossos recursos... e agora? 

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publicado às 21:37