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10 de Junho.

por Volátil, em 10.06.15

Hoje, 10 de Junho - Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas - digam isto assim direitinho se algum repórter vos perguntar porque é feriado hoje, já chega daquelas figuras tristes nos telejornais ano após ano.

Assalta-me sempre uma questão (particularmente) neste dia: será que existe orgulho em ser português? 

 

É frequente vermos na publicidade de algumas marcas a ostentação da bandeira do país de que são provenientes como chancela de qualidade e competência. "Swiss Precision" ou "German Technology" são designações utilizadas por marcas para exprimir a sua superior qualidade. E Portugal? em que é que a marca Portugal é entendida como superior? Não fazemos carros, nem tecnologia de ponta, não temos grandes instituições bancárias ou companhias de seguros, não temos grandes construtoras nem multinacionais como uma Sony, por exemplo (e as que temos estão em liquidação total...).

Portugal tem boa comida e bom vinho. Tudo o resto advém destas áreas em que o país se especializou logo depois de deixar as caravelas. É uma país que está a descansar nos últimos séculos. Comemos e vivemos e fazemos asneiras Como se estivéssemos entrado de férias assim que o Vasco da Gama regressou da Índia. Por isso somos brandos. Temos a calma de um veraneante no Algarve que não se está para se chatear com os solavancos da jangada de pedra. Isto não é - entenda-se - uma coisa má! Muitas pessoas de todo o mundo vêm a Portugal passar as suas férias, aproveitando todo o nosso know-how que reunimos nessa matéria. Comem, bebem e vêem futebol com quem mais sabe da coisa!

Temos orgulho em ser portugueses. Mas esse orgulho advém fundamentalmente do período em que não estávamos de férias. A cada cerimonia de abertura de uma qualquer evento lá vem o mal, os astrolábios e os figurantes a abanar lenços azuis e brancos. 
Gostava que o orgulho em ser português adviesse de uma "Portugal Technology" - mas, acabando de escrever isto... sinto o ridículo que isto soa... e fico triste por isso.

 

Como escreveu Fernando Pessoa:

(...) Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!

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publicado às 00:57