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De informar a propagandear.

por Volátil, em 27.07.16

A macabra atracção das pessoas pelo horror não é novidade para ninguém que tenha experimentado um engarrafamento por causa da curiosidade dos automobilista a mirar um acidente na berma da estrada.

O horror tem experimentado uma evolução social muito semelhante à do sexo. Tanto em livros como em filmes ou mesmo na música o sexo tem sofrido uma tolerância cada vez maior ao longo das décadas. Da completa censura à sua passagem subliminar até ser palco principal em estratagemas de marketing. Neste momento o sexo está em todo o lado, é tolerado e natural (e bem! Salvo alguma excepções que não vêm ao caso).

Assim também o horror percorreu os mesmos caminhos. Foi estando presente, foi sendo deciminado e é agora usado como ferramenta de propaganda por grupos como o Daesh.

Na internet a curiosidade é insaciável e as imagens de violência e morte mais extremas são automaticamente virais. Esse vírus é o medo. Usado como arma biológica.

A nossa curiosidade pelo horror vem com um twist ainda mais preserso que é a mesma que podemos encontrar no sexo. A habituação. Tanto as imagens de corpos degolados como a pornografia mais extrema parecem promover o mesmo tipo de tolerância nos nossos cérebros. O que era hoje um choque amanhã será tido como normal e assim avançamos com a nossa capacidade de adaptação ao meio. Os próprio jornais e televisor alimentam estão os noticiários com imagens de horror assim como os reality shows são alimentados com sexo cada vez mais explícito.

A discussão que se gera entre este dever de informar e a probabilidade de estar a veicular propaganda não é nova. Contudo e finalmente encontrei um meio de comunicação que a quer reflectir sobre isto e implementar medidas efectivas.

 

É muito importante e todos os que usam a internet têm um papel directo e fundamental nisto, basta lembrar a vaga de tweet belgas de gatinhos durante a entrada da polícia em Molenbeek para perceber. 

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publicado às 22:37

A correr na Costa Nova.

por Volátil, em 17.07.16

Ontem foi dia de prova. A III Corrida Popular da Costa Nova. Talvez a décima em que participo desde Março. Já deixei alguns quilómetros para trás, algumas frustrações, alguns maus pensam ento e mais de uma dezenas de quilos. Já desci muito o meu tempo de corrida e a minhao que conta resistência em relação ao início, há menos de seis meses, nada se compara ao significado do simples relato que vou fazer.

Estava a correr ao longo da Costa Nova em direcção à Vagueira, passava pouco do km 4 quando os atletas da frente da corrida de 10 km passam por mim vindos já do retorno ao km 5. Nesse momento digo para os companheiros de corrida em jeito de graça: - "já vêm para trás!? Isto desmoraliza muito!". É neste momento que passa por mim o Leandor Amador, atleta cego, lado a lado com o seu guia. Vira a cabeça na minha direcção, vejo os olhos brancos, um enorme sorriso e oiço: - "ainda bem que eu não os vejo!". Sorri de volta e só consegui responder um "força!" enquanto continuava a correr.

Fiquei a pensar neste momento toda a corrida. Cheguei ao fim com o melhor tempo que consegui até agora em provas de 10km, 57'25''.

Queria agradecer ao Leandro o sorriso e a força que me deu. O que conta não é a meta, nem tão pouco a corrida. O que conta são as pessoas e o que elas nos ensinam. 

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publicado às 22:20

Desculpem a ausência. Volto já.

por Volátil, em 09.07.16

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publicado às 09:46

A ciência por detrás do cartaz do BE com Jesus.

por Volátil, em 26.02.16

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O cartaz do Bloco de Esquerda não é sobre o que lá escreveram. Nada tem a ver com congratulação ou comemoração da adopção por casais homossexuais. O BE, recorrendo à maior ferramenta de marketing dos nossos tempos - as redes sociais - e pretende gerar um buzz que em nada tenta estimular o debate público no verdadeiro sentido do termo.

O sector da esquerda que o BE acolhe vive da sua autoproclamada (e pressuposta) superioridade intelectual e moral. Ou seja, quem acerta por esta linha política, quase sempre, tenta apresentar um esclarecimento político, cultural e até académico superior ao dos restantes cidadãos.

O BE previu as seguintes reacções:

● Risos (e estão livres de críticas)

● "Não se pode gozar com a religião." (e chamam-lhes saloios, ignorantes e fascistas)

● "Agora gozem com o Maomé também!" (e chamam-lhes saloios, ignorantes, fascistas e anti-islâmicos)

● "Não se goza com a figura de Jesus muito menos se mistura com assuntos desses" (e são saloios, ignorantes, fascistas e homofóbicos)

 

Portanto, o que o BE quer é ser colocado como paladino da liberdade de expressão, como o pináculo da moral e da intelectualidade. As reacções são certas. O assunto da reacção é, na prática, irrelevante. É  um pretexto para...

Não façam a vontade ao BE! 

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publicado às 13:25

Cassaco de engenho.

por Volátil, em 22.02.16

Acabei de ouvir, na Antena 2 enquanto conduzia, o poema de João Cabral de Melo Neto (de quem nunca ouvi falar) intitulado "Festa na Casa-Grande". 
O cassaco, gambá ou opossum é um pequeno mamífero parecido com um texugo. É aqui comparado a um trabalhador na plantação de cana-de-açúcar. Com poucos ou nenhuns direitos. É retratado, na figura deste bicho, a sua miséria, o trabalho forçado, a doença, o escape na cachaça, a morte, "um fora sem dentro".

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publicado às 14:06